Por: Virgínia Vasconcelos
Um transtorno raro, que afeta duas a cada mil crianças, transformou a vida da paraibana Elce Correia. Ela sonhava em estudar Engenharia Aeroespacial no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, mas precisou mudar seus planos para ajudar sua irmã caçula, Fernanda, diagnosticada com Apraxia de Fala na Infância, um transtorno motor de fala.
Determinada a proporcionar à irmã um diagnóstico correto e cuidados adequados, Elce decidiu estudar medicina e se formou em 2023. Seu foco passou a ser o estudo das síndromes genéticas, visando ajudar Fernanda e outras famílias enfrentando o mesmo desafio.
“Fernanda só conseguiu pronunciar a primeira palavra com quase quatro anos. Foi angustiante vê-la sem conseguir se comunicar. Minha mãe e eu consultamos diversos especialistas, mas ninguém sabia o que ela tinha. Foi então que decidi fazer medicina”, conta Elce.
Aos três anos e nove meses, Fernanda foi diagnosticada pela fonoaudióloga Adriana Guerra, Conselheira Técnica da Associação Brasileira de Apraxia de Fala (Abrapraxia), no Recife. O diagnóstico de Apraxia de Fala trouxe um alívio e um novo caminho a seguir.
Atualmente, com 12 anos, Fernanda consegue se comunicar melhor e estuda em uma escola regular com apoio multidisciplinar. Ela também conta com a supervisão da Abrapraxia e treina musculação com a ajuda de Elce. Em 2022, as irmãs participaram de uma prova de triatlon em João Pessoa, demonstrando superação e determinação. “A Nanda provou que pode fazer o que quiser. Treinamos muito para esse desafio. Ela nadou, correu, pedalou e recebeu a medalha no final. Ela é o meu orgulho”, diz Elce.
Fernanda é uma das 100 crianças com Apraxia de Fala participando de uma pesquisa de mapeamento genético, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Abrapraxia. “Ter um diagnóstico precoce e entender as características da Apraxia de Fala na Infância são essenciais para que crianças como Fernanda recebam o melhor tratamento”, afirma Fabiana Collavini, presidente da Abrapraxia.

