Arte de Clóvis Júnior que destaca o Pavão Misterioso e a imagem de Nossa Senhora das Dores. Foto: Joelson Araújo
Por Joelson Araújo
Comunidade Chã de Jardim, se transforma em uma vibrante galeria a céu aberto, onde a arte celebra e sustenta seus moradores
A comunidade Chã do Jardim, situada na cidade de Areia, PB, ao longo da rodovia PB-079, é um espetáculo visual que captura a atenção de todos que passam. A arte transcende os limites das galerias fechadas e se espalha sob o céu aberto, transformando as casas em telas para uma exposição viva que celebra a natureza e a cultura nordestina.
Idealizado por Guataçara Monteiro e João Paulo Pessoa, o Projeto Galerias é uma iniciativa pioneira que transforma comunidades em vibrantes galerias a céu aberto. O projeto nasceu da vontade de levar a arte até aqueles que não têm fácil acesso a museus e galerias, enriquecendo culturalmente a área e abrindo portas para o turismo.
Artistas de várias regiões do Brasil se uniram para criar murais que refletem a natureza e a cultura nordestina. Um artista, conhecido como Vespa, destacou-se ao retratar moradores locais, como Luciana, Esther e Riquelme, capturando suas histórias e sonhos em murais coloridos.
Daniel Ribeiro, morador e guia turístico da comunidade, compartilhou suas observações sobre o impacto da arte local.
“O artista Vespa criou obras que refletem as histórias pessoais de crianças especiais da nossa comunidade. Ele foi tocado pela prematuridade de Esther e pelo autismo de Riquelme. Luciana, por sua vez, foi homenageada por sua dedicação em tornar Chã do Jardim um lugar onde os moradores não precisem buscar emprego em outras regiões. Bruno Brito, outro artista, decorou uma parede com desenhos que capturam a essência e a criatividade das crianças daqui. Ele usou imagens de alimentos, instrumentos musicais e elementos naturais, inspirado na maneira como as crianças preenchem cada espaço de uma folha de papel em branco com seus desenhos.”

Luciana Balbino, líder comunitária da Chã do Jardim, retratada na pintura do artista Vespa e pintura do artista Bruno Brito onde ele destaca elementos locais.
Foto: Joelson Araújo
O projeto também se destaca como uma fonte de renda para os moradores. A autoria das obras de arte ao final do projeto passa a ser dos moradores, que podem criar souvenirs, transformando as obras em produtos como bolsas, chapéus e chaveiros para vender aos visitantes, incentivando o desenvolvimento sustentável da comunidade.
Talentos locais:
O projeto abriu espaço para os talentos locais, como demonstrado no painel dedicado aos artistas da comunidade. A música “Chã de Jardim”, composta por Rejane Ribeiro e Guilherme Mendicelli, exemplifica a riqueza cultural que emerge desse encontro de talentos.
Assista o clipe da música: Chã de Jardim
A voz dos moradores:
Lucilene Balbino, uma moradora, expressa seu orgulho pela obra de arte em sua residência, destacando a importância do pavão misterioso e da padroeira Nossa Senhora das Dores na cultura local.
“Minha obra de arte favorita é a da minha própria residência, feita pelo paraibano Clóvis Júnior, que contém o pavão misterioso, símbolo de nossa cultura, principalmente em folhetos de cordel, e a pintura da padroeira da comunidade, Nossa Senhora das Dores,” diz Lucilene.
As obras de arte incorporam elementos da natureza, refletindo a paisagem local e complementando as trilhas ecológicas do Parque Estadual Mata do Pau-Ferro. As trilhas e passeios ecológicos contribuem para a conscientização ambiental, informando e incentivando a ação de preservar e sustentar a mata.
O guia turístico Daniel, destaca que as trilhas ecológicas ganham um novo significado com a arte ao redor.
“A arte aqui dialoga com a natureza, e isso enriquece a experiência de todos que visitam.”
Chã do Jardim é a primeira comunidade da Paraíba a receber o Projeto Galerias, tornando-se um modelo inspirador de como a arte pode ser uma ponte entre a cultura, a natureza e o desenvolvimento sustentável.

