Por Nathália Aguiar
A ginga é ancestral e carrega na sua leveza, o peso da resistência e das lutas de um povo. A percussão e a dança envolvida na capoeira e no maculelê, assim como em distintas práticas afro-indígenas-brasileiras, foram importantes e, muitas vezes, base para a construção do Brasil. Unido isto a importância de que essas práticas sejam compreendidas e respeitadas, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), promoveu a oficina “Percussão e Dança: Capoeira e maculelê”, na última quarta-feira (22), na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), campus Campina Grande.
Inserida no Ciclo de Debates Maio Antirracista, organizada pelo NEABI, a oficina envolveu prática e história. De acordo com a professora Cristiane Nepomuceno, organizadora do evento, “o objetivo da oficina é que as pessoas desconstruam seus equívocos, medos e preconceitos […] para que se reduzam atos de intolerância”.
O ministrante da oficina foi o professor e capoeirista Mestre Morcego, que há quase 18 anos é responsável por levar a ginga da capoeira para escolas públicas de Campina Grande. Segundo ele, “Logo quando começamos, tivemos muita resistência e preconceito de diretores evangélicos, muita perseguição, mas hoje a aceitação é bem melhor. Não se vê a rede municipal de Campina Grande sem a capoeira. Dentro do contexto educacional, a capoeira vem diminuindo a violência, o preconceito racial e tem trazido para os aluno a identidade negra. Nesse enfrentamento ao racismo e a intolerância religiosa, avançamos muito”.

Mestre Morcego tocando atabaque. Foto: Nathália Aguiar/Repórter Junino
Fernanda Almeida é estudante de pedagogia da UEPB e teve seu primeiro contato com a capoeira e com o maculelê durante a oficina. Para ela, a aula foi importante para que haja maior compreensão sobre a importância das práticas para a construção do Brasil. “A resistência continua até hoje e ensinam a trabalhar com foco, paciência e cautela”, compartilhou.
Mestre Morcego deixa, além de todo conhecimento da história e cultura afro-brasileira, o recado de que é preciso buscar saber de onde veio, para saber para onde ir – e a cultura é um dos caminhos.

