Foco principal está em hotelaria, infraestrutura turística, parques, cruzeiros e experiências ligadas à natureza

O governo Lula está mirando o investimento de empresas chinesas no setor de turismo, em um movimento para ampliar a presença de visitantes no país. O foco principal está em hotelaria, infraestrutura turística, parques, cruzeiros e experiências ligadas à natureza.
Uma das ações do Ministério do Turismo para facilitar o investimento estrangeiro no país foi a tradução para o mandarim de um guia de investimentos feito em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e a ONU Turismo, com projetos do setor que podem chegar a US$ 4,5 bilhões (R$ 22 bilhões).
No guia, um dos empreendimentos destacados e que busca investimento, por exemplo, é o Polo Turístico Cabo Branco, que destina 1,3 milhão de metros quadrados para a construção de um complexo turístico em João Pessoa, na Paraíba. Quando finalizado, será o maior do Nordeste, segundo a pasta.
Um dos atrativos deste projeto, e de outros, são incentivos fiscais.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a estratégia mira áreas relevantes do setor, e tem a China como alvo por ser um dos maiores “emissores de turistas do mundo”.
“Os chineses têm investido bastante no nosso país e nós fizemos a tradução do guia em mandarim para que a barreira da língua seja vencida.”
Dados da principal plataforma de turismo em atividade na China, a Trip, apontam que o Brasil é o destino mais procurado por turistas chineses que viajam à América do Sul. Boa parte dessa procura, porém, se dá para visitas de negócios em feiras e reuniões, algo permitido pela categoria de visto.
Em 2025, o Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses, com recorde no número de projetos de empresas da China no país, segundo levantamento do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China). Foram US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões), uma alta de 45% no valor total alocado na comparação com 2024.
“Nós já temos uma relação comercial com a China muito forte. A China é o maior parceiro comercial do Brasil, então o turismo corporativo, turismo de negócio, ele já tá bastante aquecido. E a gente espera crescer também o turismo de lazer e de recreação”, afirma Feliciano.
Um dos principais movimentos da gestão para isso foi a isenção do visto para chineses, válida desde o início deste mês. Agora, turistas chineses podem ficar no Brasil sem visto por até 30 dias por ano.
A retirada da exigência foi uma ação recíproca do governo federal em relação à dispensa de visto para brasileiros que viajam à China, concedida no ano passado. Pequim estabeleceu uma isenção mais ampla, permitindo que brasileiros permaneçam sem visto por 30 dias a cada entrada em território chinês.
A isenção pelo lado chinês foi concedida em junho do ano passado, como parte de um pacote que retirou a exigência para outros países. A contrapartida brasileira estava prevista, mas demorou para se tornar oficial.
O governo brasileiro desejava que fosse formalizada como parte de um acordo bilateral, o que não fazia sentido para os chineses, visto que a isenção aos brasileiros era parte de um pacote maior.
A troca, então, foi feita por meio de notas publicadas em abril, quando o chanceler chinês, Wang Yi, assinou de forma retroativa a retirada da exigência que já estava em vigor desde o ano passado.
Fonte: Portal Correio

