Artigo relaciona aumento de casos de dengue no Brasil às mudanças climáticas

  • 20 de março de 2024
Artigo relaciona aumento de casos de dengue no Brasil às mudanças climáticas

Por Gabryele Martins

Um artigo publicado neste mês de março na revista britânica Nature, relacionou o aumento de casos de dengue no Brasil e na América do Sul às mudanças climáticas, urbanização e anomalias térmicas que vivemos. A pesquisa, de autoria de Christovam Barcellos, Raquel Martins Lana e Vanderlei Matos, utilizou técnicas de mineração de dados para analisar fatores climáticos e demográficos que explicassem o crescimento no número de casos da arbovirose, sobretudo nas regiões do país onde ocorriam poucos casos da doença. O algoritmo apresentado no estudo pode ser usado para analisar cenários climáticos no futuro e ajudar na construção de ações de prevenção às arboviroses.

Segundo os pesquisadores, a faixa de temperatura ideal para a reprodução do Aedes aegypti é de 18 a 33ºC, enquanto a de manutenção da transmissão é de 21 a 30ºC, o que possibilitava às áreas mais quentes do país, uma incidência maior da doença. Com as ondas de calor que vivemos nos últimos anos, até nas áreas frias ou altas como o Sul e o Planalto Central, o número de casos de dengue aumentou e o mosquito acabou se adaptando.

As alterações climáticas também podem representar riscos de transmissão de arboviroses em áreas anteriormente não afetadas, como  o sul da Europa, América do Norte e Nordeste da Ásia.

A Dengue no Brasil

A dengue não é uma doença nova para o Brasil. Há relatos de supostas epidemias ainda no início do Século XX,  mas a primeira  documentada clínica e laboratorialmente ocorreu na capital de Roraima, Boa Vista, em 1982. Mas nos últimos anos estamos vendo uma explosão de casos da arbovirose. Até a última segunda-feira (18), o país registrou 1.889.206 casos prováveis de dengue em 2024, sendo o auge da enfermidade nesse século, e 630 óbitos.

Em 21 de dezembro do ano passado a vacina contra dengue foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) e introduzida no Calendário Nacional de Vacinação em fevereiro de 2024. O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público de saúde. A princípio o medicamento seria oferecido em campanha para 521 municípios em 37 regiões de saúde do país, mas devido ao aumento do número de casos e a baixa procura vacinal (de um lote de 1,2 milhão de vacinas distribuídas no país, somente 465 mil foram aplicadas), a ministra da saúde, Nísia Trindade anunciou nesta quarta-feira (20) a redistribuição das doses para cidades que declararam situação de emergência.

Apesar da vacina disponibilizada pelo SUS, o controle da proliferação do mosquito ainda é muito necessário e vale ficar atento para evitar acúmulo de água parada em recipientes abertos.

Confira o artigo na íntegra