Por Ana Flávia Soares
Na última quinta-feira (23), a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul confirmou mais duas mortes por leptospirose. As vítimas foram dois homens de 56 e 50 anos, moradores dos municípios de Cachoeirinha e Porto Alegre, respectivamente.
Ainda no mês passado, outros dois óbitos tinham sido confirmados nas cidades de Travesseiro e Venâncio Aires. Até esta sexta-feira (24) o Rio Grande do Sul tem 54 casos da doença confirmados e 4 mortes. Outras quatro mortes estão sendo investigadas nos municípios de Encantado, Sapucaia, Viamão e Tramandaí, mas ainda não foram confirmadas como provocadas pela doença. Além disso, há 1140 casos notificados de leptospirose, isto é, que não foi confirmado o diagnóstico, mas que as pessoas relataram os sintomas.
O agravamento da situação se dá em decorrência das fortes enchentes que assolam o estado e o consequente maior contato das pessoas com água contaminada. No entanto, mesmo sem a catástrofe climática o Rio Grande do Sul já vinha lidando com ocorrências da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024 (até 19 de abril), já havia ocorrido 129 casos e seis mortes. Ao longo de 2023, foram 477 casos e 25 óbitos.
O que é a Leptospirose?
A leptospirose é uma doença bacteriana transmitida pela urina de animais infectados, principalmente ratos. A contaminação A contaminação pode acontecer através pele quando há contato prolongado com a água ou por lesões (como cortes), assim como pelas mucosas, como olhos, nariz e boca.
Os sintomas surgem normalmente de 5 a 14 dias após a contaminação, podendo chegar a 30 dias. De início, é comum sintomas como febre, dor de cabeça, dor muscular (principalmente na panturrilha), falta de apetite, náuses e vômitos, e dor ocular.
Porém, 15% dos pacientes podem evoluir para situações mais graves e até fatais, como é o caso a síndrome de Weil: forma clássica de manifestação da doença que provoca insuficiência renal, hemorragia, e ainda deixa pele e olhos amarelados.

Imagem explicativa sobre a Leptospirose
Recomendações do governo do estado do Rio Grande do Sul acerca da leptospirose:
– Testagem laboratorial: casos suspeitos oriundos de área de alagamento e com sintomas compatíveis com leptospirose devem iniciar tratamento com remédios imediato e, quando possível, ter amostra coletada a partir do sétimo dia do início dos sintomas para envio ao Laboratório Central do Estado (Lacen).
– Tratamento: o tratamento com antibióticos deve ser iniciado no momento da suspeita — a decisão cabe a um profissional de saúde. As pessoas devem procurar serviços de saúde em caso de suspeitas. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial. Mas, nos casos graves, a hospitalização deve ser imediata, para evitar complicações e diminuir o risco de morte.
– Remédios: a automedicação não é indicada. O uso do antibiótico, conforme orientação médica, está indicado em qualquer período da doença, mas sua eficácia costuma ser maior na primeira semana do início dos sintomas.
– Limpeza: nos locais que tenham sido invadidos por água de chuva, recomenda-se fazer a desinfecção do ambiente com água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%), na proporção de um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água.
– Prevenção: é recomendável manter alimentos guardados em recipientes bem fechados, manter a cozinha limpa sem restos de alimentos, retirar as sobras de alimentos ou ração de animais domésticos antes do anoitecer, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais ajudam a evitar a presença de roedores. A luz solar também ajuda a matar a bactéria.
Com BBC Brasil

