Por Virgínia Vasconcelos
No Litoral Norte da Paraíba, nos municípios de Rio Tinto e Marcação, mais de 3 mil famílias indígenas aguardam ansiosamente pela demarcação de suas terras. Essa espera já se estende por mais de 15 anos, durante os quais o povo indígena dessa região tem travado uma batalha incansável pela homologação do processo. No entanto, a burocracia e questões sociais têm sido obstáculos persistentes nesse caminho.
A cacique da Aldeia Monte-Mor, em Rio Tinto, Claudecir Braz, conhecida como cacique Cal, tem liderado essa luta pela homologação das terras junto à Fundação Nacional do Índio (Funai). Em uma conversa com o ClickPB, nesta sexta-feira (19), ela expressou um sentimento de frustração pelo tempo decorrido, mas também uma esperança renovada de que a demarcação se concretize em breve.
Na Aldeia Monte Mor, são 920 famílias indígenas aguardando a homologação das terras. No entanto, há também 820 famílias não indígenas que residem na área e precisam ser realocadas para que o processo possa avançar.
Segundo Cacique Cal, a situação em Monte-Mor está próxima de uma resolução, mas a questão social das pessoas não indígenas requer atenção especial. Uma reunião com o Incra, governo estadual e governo federal está prevista para maio, a fim de abordar essa questão.
Para a cacique, a demarcação das terras é uma necessidade urgente, mas também exige responsabilidade. Ela destaca a importância de buscar parcerias e agir com cautela nesse processo.
No Dia dos Povos Indígenas, Cacique Cal faz uma reflexão sobre a preservação da cultura e ancestralidade. Ela pede proteção divina para fortalecer a comunidade e não desistir de suas tradições.
“Neste dia tão representativo, renovamos o nosso compromisso de luta e empenho por políticas públicas que promovam o bem-estar dos nossos parentes”, conclui a líder indígena.
