
A posse do presidente da Câmara de Cabedelo, José Pereira (Avante), como prefeito interino do município está prevista para esta quarta-feira (15), às 10h, em sessão extraordinária no plenário da Casa Legislativa.
A informação foi divulgada durante a sessão ordinária desta terça-feira (14) em leitura de um edital de convocação para a cerimônia.
LEIA TAMBÉM:
O edital foi convocado pelo próprio presidente da Câmara, José Pereira, e cita o ofício expedida pela Justiça da Paraíba com a decisão do desembargador Ricardo Vital pelo afastamento de Edvaldo Neto (Avante) por prazo indeterminado da gestão local. Edvaldo foi alvo nesta terça-feira (14) da operação Cítricus que investiga um ‘consórcio’ entre o poder público e empresas.
Quem é José Pereira, novo prefeito de Cabedelo
José Francisco Pereira tem 68 anos e se apresenta como gestor financeiro. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele foi candidato a vereador por quatro vezes, se elegendo nos anos de 2012, 2020 e 2024. Em 2016, ele chegou a ser suplente na câmara municipal.
Em 2024, Pereira foi eleito com 1.331 votos. No início de 2025, ele foi eleito 1º vice-presidente da casa Vereadora Graça Rezende, na mesa-diretora encabeçada por Edvaldo Neto. Com a cassação de André Coutinho (Avante), Edvaldo Neto assumiu a gestão do município, Pereira virou presidente da Câmara.
Agora, com Pereira assumindo a gestão do município, o vereador Wagner do Solanense (PL) torna-se presidente da casa legislativa.
A operação
A investigação revelou um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas, cujo valor pode chegar até R$ 270 milhões de reais.
Além dos 21 mandados, foram determinadas outras cautelares pessoais determinadas pelo Poder Judiciário, tais como o afastamento do atual Prefeito de Cabedelo e de outros servidores públicos, com a finalidade de aprofundar a colheita probatória, preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas investigadas. As diligências são executadas em regime de força-tarefa entre a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba, por intermédio do GAECO, e a Controladoria-Geral da União.
A investigação segue em andamento e os fatos apurados poderão ensejar responsabilização pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa, sem prejuízo de outros ilícitos eventualmente identificados no curso da apuração.
O que diz Edvaldo Neto

Em nota, a defesa do prefeito afastado de Cabedelo disse que ele “jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública” . Disse também que ele tem tranquilidade quanto à apuração dos fatos, acreditando que “todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas”
A defesa disse ainda que, na segunda-feira (13), foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter “antifacção”, para proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa. Evaldo tinha prometido esse projeto logo após o resultado da eleição.
Fonte: Jornal da Paraíba

