Lançamento do São João de Campina tem som alto pra festa e silêncio pra quem cobra

  • 9 de abril de 2026
Lançamento do São João de Campina tem som alto pra festa e silêncio pra quem cobra

Campina Grande sabe fazer festa como poucas cidades no Brasil. E mais uma vez, o lançamento do Maior São João do Mundo confirma isso: estrutura grandiosa, expectativa econômica positiva e uma programação que reafirma o evento como vitrine turística. Mas nem só de festa vive a cidade.

 

Enquanto o discurso oficial celebrava o megaevento e desenvolvimento, vozes do lado de fora lembravam de algo mais básico que é salário em dia e condições dignas de trabalho. Profissionais da saúde, sobretudo da enfermagem, interromperam o roteiro previsível da festa para cobrar o que, em tese, não deveria sequer ser pauta: o cumprimento regular de pagamentos.

 

O contraste não passou despercebido. De um lado, o brilho do São João, que mobiliza milhões e sustenta a narrativa de uma cidade pulsante. Do outro, a insatisfação de servidores que convivem com atrasos recorrentes como já registrado nos meses anteriores e que, diante da falta de respostas, decidiram transformar o lançamento festivo em espaço de cobrança pública.

 

A reação do prefeito também chamou atenção. Ao invés de acolhimento, confronto. Ao invés de escuta, questionamentos repetidos “tá devendo?” e o pedido para que uma das manifestantes “falasse baixo”. Um gesto simbólico, que ecoa além do momento: em meio ao som alto da festa, há quem ainda precise diminuir a própria voz para ser ouvido.

 

Campina Grande não é só o São João, embora o São João seja parte fundamental de sua identidade. A cidade que dança forró em junho é a mesma que enfrenta desafios na saúde, na gestão pública e na valorização de quem sustenta os serviços essenciais.

 

A festa merece ser celebrada. Mas a realidade insiste em não ser silenciada.