Os acidentes de trânsito em Campina Grande, apresentaram um crescimento no primeiro semestre de 2025, especialmente os que envolvem motociclistas. O Hospital de Trauma, registrou um aumento superior a 30% nos atendimentos a vítimas desse tipo de ocorrência: foram mais de 6,3 mil pessoas atendidas, contra 4,8 mil no mesmo período do ano passado.
Em todo o estado da Paraíba, os números também chamam atenção. Em 2024, foram contabilizados 12.991 atendimentos a vítimas de trânsito, com 859 mortes , 250 apenas no Sertão. Já entre janeiro e junho de 2025, foram 8.112 ocorrências, resultando em 407 óbitos, dos quais 110 no Sertão.
Um relatório da Polícia Rodoviária Federal aponta que os motociclistas são os mais vulneráveis. O estudo, realizado em aproximadamente 500 quilômetros de rodovias que cortam a região de Campina Grande, mostra que 56% dos acidentes com motos aconteceram em Queimadas, Lagoa Seca e Alagoa Nova. As BRs 104 e 230 concentram o maior número de registros. Entre 2006 e 2022, a frota de motocicletas na região cresceu 9,9%, enquanto a de automóveis apresentou queda superior a 11%.
De acordo com o inspetor da PRF, Fabiano Lacerda, a desproporção entre os sinistros envolvendo motocicletas e a gravidade das vítimas é evidente. Segundo ele, fatores como imprudência, distração, consumo de álcool, más condições das vias, falhas mecânicas e comportamentos de risco , como excesso de velocidade e uso indevido do corredor, estão entre as principais causas.
Além do impacto direto na vida das vítimas e de suas famílias, os acidentes de moto geram altos custos para o sistema público de saúde. O diretor do Hospital de Trauma, Sebastião Viana, explicou que uma diária em enfermaria custa cerca de R$ 700, enquanto em UTI o valor chega a R$ 1.900. Ele destacou ainda que procedimentos ortopédicos podem variar de R$ 800, no caso de cirurgias simples, até R$ 60 mil em situações mais graves. Os gastos mensais com esse tipo de atendimento giram entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão.

