Criança em linha de fogo de 15 tiros na PB é o retrato do lugar da infância no país

  • 5 de março de 2025
Criança em linha de fogo de 15 tiros na PB é o retrato do lugar da infância no país

Em meio a notícias sobre as festas carnavalescas e eventos religiosos, uma notícia chocou a todos que acompanharam os jornais ontem. Imagens de câmeras de segurança na cidade de Pedras de Fogo, Litoral Sul da Paraíba, mostraram um atirador disparando 15 vezes contra pessoas que estavam na calçada de uma residência. No local via-se uma criança com aparentemente pouco mais de um ano que ficou todo o tempo na linha de tiro.

 

O fato ocorrido na segunda-feira, de acordo com a polícia, parece ter como alvo um familiar da criança, possivelmente o pai, que chegou a ser atingido com 3 tiros na perna, embora tenha sido um dos primeiros a correr, quando todos os adultos entram na residência para escapar dos tiros.

A criança ficou na calçada, assustada e gritando, sem entender o que acontecia. Uma das mulheres faz menção de voltar pra retirar a menina, mas recua com medo de um dos atiradores e somente após a fuga dos atiradores, ela consegue pegar a criança.

 

Em todo o país, várias crianças foram vítimas de tiros, seja por bala perdida ou em decorrência de rixas dos familiares, mas a reflexão que fica desta cena, infelizmente não se refere apenas ao contexto da violência urbana, mas traduz o lugar da infância em nossa sociedade.

Com camadas muito complexas, que envolve irresponsabilidade e individualismo extremo, os adultos passaram a desconhecer o instinto primitivo de proteção da cria, ainda presente entre os animais não humanos. A humanidade falha na proteção à infância e o episódio em que a criança fica entregue à própria sorte na calçada, enquanto os adultos fogem dos tiros, revela de forma macro e explícita, mas também simbólica, o lugar secundário em que ela está inserida na sociedade.

No vídeo da calçada, de forma insólita, choca a todos, mas com a lupa do cotidiano, é possível enxergar o quanto os cuidados, muitas vezes terceirizados ao extremo a terceiros, aos smartphones e as situações de estresse, relações abusivas, etc, relegam a criança a condições de risco e a um lugar de fragilidade, além ao da própria idade.

Na hora de priorizar, o adulto pensa primeiro em si mesmo. A criança vem depois, é colocada no colo quando o perigo vai embora. No caso do vídeo, o desfecho foi positivo, mas muitas vezes, quando a criança é lembrada  não há mais o que fazer.